Conselho Missionário Paroquial – COMIPA
O ESPÍRITO SOPRO DE VIDA
DOMINGO DE PENTECOSTES
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“O Espírito Santo, protagonista da missão”: é o titulo do 111º capitulo da Redemptoris Missio, que sintetiza a experiência da evangelização ao longo dos séculos (seria útil ler esse capitulo todo). O Espírito é fogo. Que desce sobre os Apóstolos reunidos com Maria, que impulsiona a escancarar as portas para anunciar, na praça, que Cristo ressuscitou e é vivo, que inverte a lógica de divisão e de confusão de Babel para ensinar aos homens a língua da unidade e da compreensão. Pentecostes é um sonho, ao ponto que as pessoas presentes acham que os Apóstolos estão embriagados, fora de si mesmos. Um sonho, sim, de Deus, mas que está se realizando, porque os sonhos de Deus são realidade. Nossa pouca fé trata Deus como uma criança, que vive no mundo da fantasia, sem percebermos que o nosso mundinho sem cores e sem criatividade é fruto da nossa imaginação curta e sem esperança.
O patriarca Atenágoras, de Constantinopla, um dos grandes carismáticos do século passado, num famoso texto, pintou de madeira plástica uma Igreja sem ou no Espírito Santo.
“Sem o Espírito Santo:
§ Deus está longe, Cristo fica no passado,
§ o Evangelho é letra , morta,
§ a Igreja é uma simples organização,
§ a autoridade é uma dominação,
§ a missão uma propaganda, o culto um rito mágico,
§ a atividade cristã uma moral de escravos.
O Espírito Santo:
§ o Cosmo é levantado e geme na gestação do reino, Cristo ressuscitado está presente,
§ o Evangelho é potência de vida,
§ a Igreja significa comunhão trinitária,
§ a autoridade é um serviço libertador,
§ a missão é uma Pentecostes,
§ a liturgia é memorial e antecipação,
§ o agir humano é divinizado.”
SANTÍSSIMA TRINDADE 11/06/2006
Jesus iniciou seu ministério co o batismo, administrado por João Batista: naquele momento, Ele foi proclamado Filho amado do Pai na presença do Espírito Santo.
No fim da sua missão, Ele envia os apóstolos para fazerem nascer a Igreja entre todos os povos da terra, suscitando discípulos seus através do anúncio da Palavra e do Batismo. A missão é mergulhar (do grego baptizein) na Trindade. Também o inicio da missão dos apóstolos acontece dentro da Trindade, para significar não só que Deus anunciado e comunicado por eles é diferente daquele acreditado e adorado nas outras crenças, mas, sobretudo porque eles são portadores de uma experiência de comunhão, que encontra sua origem num Deus que é “comunidade”.
Um dos “pecados” maiores de muitos cristãos é se relacionar com um Deus concebido como individual, sem praticamente nenhuma diferença dos muçulmanos e dos hindus. O Deus da Trindade não entra na experiência espiritual deles. Por isso, pouco muda ao seu redor. Porque este Deus Trindade se comunicou a nós para que transformemos a realidade à sua “imagem e semelhança”, isto é, contribuindo para construir um mundo de fraternidade.
CORPUS CHRISTI 15/06/2006
O relacionamento que Deus quer estabelecer com a humanidade é um compromisso radical de fidelidade até o sangue. As três leituras desta festa o atestam com a máxima clareza, através do tema da aliança. Deus se compromete sem reservas, porque Ele escolheu o povo como sua porção particular e selou isso com o sangue dos sacrifícios rituais. Jesus leva ao Maximo a doação, substituindo a oferta dos animais pelo sacrifício no próprio sangue. A Eucaristia renova em todo tempo e lugar esta aliança para que a Igreja como um todo e cada um de seus membros entre cada vez mais neste dinamismo de doação ao se Senhor. O sacramento do pão e do vinho não é simplesmente a presença real de cristo para ser adorada, mas o amor de Deus concentrado no gesto máximo da entrega de si mesmo. Portanto, trata-se de uma realidade fortemente ativa (a vida doada), finalizada a suscitar, em quem dela participa, a mesma atitude. Para participar da Eucaristia não basta rezar e cantar, mas dizer sim (o grande “amém” que conclui a oração eucarística) à aliança de Deus em Cristo, isto é fazer da própria vida uma entrega a Deus e aos irmãos. É altamente significativo que o “amém” citado sela uma dossologia trinitária, para lembrar que a Eucaristia introduz na vida de comunhão fraterna.
A quem não tem fé, a Eucaristia não diz nada? Sim e não. Sem duvida, para ele, o rito é mudo, os símbolos, incompreensíveis. Mas, se ele encontra uma pessoa “eucaristizada”, que vive o dom de si no dia-a-dia, poderá entender mais facilmente: é como se encantar com uma musica, apesar de não saber ler a partitura.
11º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 18//06/ 2006
A semente sozinha, independentemente da ação do camponês: ele deve só esperar com confiança. A vida está além das possibilidades dele: “ele não sabe como isso acontece”. Assim o Reino de Deus: é mistério e surpresa, não produto de nossas mãos. Aplicado à missão, isso significa que o missionário é mais espectador do que autor (sem negar seu compromisso ativo). O protagonista é Deus e o homem não pode se colocar no lugar dEle, mas sintonizar-se com Ele para descobrir o estilo e as características da sua ação. E também: estar aberto às surpresas de Deus, que tem tempos e modalidades imprevisíveis: a semente do Reino pode nascer onde e quando menos esperarmos, fora das cercas da Igreja, em ambientes não “evangelizados”, em pessoas “não de comunidade”.
A segunda parábola do Evangelho deste domingo nos oriente a descobrir a grandeza e a força na pequenez: uma semente miúda produz uma grande árvore. Os critérios do Reino não se identificam com nossas visões de potência e de aparência; existe uma diferença qualitativa e não simplesmente quantitativa. Talvez, o melhor comentário desta parábola sejam as palavras de Paulo: “A loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens [...]. Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante”(1Cor 1, 25; 27-28).
12º DOMINGO DO TEMPO COMUM – 25/06/2006
Nós não só queremos que Deus esteja conosco, mas, muitas vezes, pretendemos que Ele o faça do nosso jeito: um Cristo que dorme não serve! Os apóstolos, assustados no meio da tempestade no lago, repreendem o Mestre por não se importar com eles: Ela os está abandonando no momento mais difícil.
Jesus repreende a pouco fá dos discípulos. Porém, não parece um pouco exagerado? Quem, na mesma situação, se comportaria de maneira diferente deles? A fé, então, é realmente absurdo?
Mas Jesus não está ausente: só parece não intervir. Aos apóstolos não basta esta presença, pedem que Ele esteja ao serviço deles, que resolva o problema deles. O seu não é um relacionamento de confiança pessoal, mas utilitarista. Eles confundem o “silêncio” de Jesus com sua ausência. Não aceitam sua maneira de estar presente.
Ao cristão, ao missionário com uma fé madura basta o Cristo. Como cantava Tereza de Ávila:
“Nada te perturbe, / nada te espante, / tudo passa.
Deus não muda, / a paciência alcança tudo;
Para quem tem Deus nada lhe falta; só Deus basta.”
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