Conselho Missionário Paroquial – COMIPA
A PAZ DO CORAÇÂO


O primeiro segredo para se conquistar a paz do coração é acreditar que todo o bem que se possa fazer vem de Deus. Como disse Jesus: “sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).
O grande dilema é: como permitir que a graça de Deus atue em minha vida?
Não existe uma resposta única, nem uma receita válida para todos. Propomos, um caminho de reflexão, com algumas etapas, em busca de possíveis respostas.


PAZ INTERIOR E AÇÄO


Imaginemos a superfície de um lago sobre a qual brilhe o sol – estando calmo, o sol se reflete quase perfeitamente. Assim, nossa alma, estando serena, Deus se reflete nela, sua imagem se imprime em nós e sua graça age através de nós. Se, ao invés, a nossa alma está agitada e perturbada, a ação da graça de Deus se torna mais difícil. Todo o bem que possamos fazer é um reflexo do bem que vem de Deus.Mas a nossa alma está tranqüila, mais Deus se comunica conosco e, através de nós, aos outros.
Freqüentemente nos agitamos, nos inquietamos na tentativa de resolver tudo sozinhos. Seria muito mais eficaz ficarmos calmos, sob o olhar de Deus, deixando-O agir em nós com sua sabedoria e poder infinitamente superior aos nossos. Isto não é um convite à preguiça e á inércia; mas é um alerta a não agirmos com inquietude e pressa excessivas, e sim com o impulso pacífico do Espírito Santo.
A busca da paz interior poderia parecer egoísta, em meio a tantos sofrimentos e misérias do mundo. Porém, estamos falando da paz de Jesus, e não de uma atitude de indiferença, fechada em si mesmo. Pelo contrário, a paz interior é à base do amor-caridade, voltado para o outro. Só esta paz nos liberta e nos permite ajudar eficazmente o próximo.


PAZ E COMBATE


A vida cristã é um combate, uma guerra sem fronteiras contra as forças do mal, as tentações, o pecado. Sem esse combate não há vitórias e não há paz. É através dele que crescemos espiritualmente, conhecemos nossas próprias fraquezas, descobrimos a misericórdia de Deus. A luta espiritual do cristão contra o mal não lhe pode causar desespero, porque sua principal arma é a fé, a confiança de estar com a força do senhor. Uma das estratégias das forças do mal para afastar-nos de Deus é roubar-nos a paz. Elas tentam nos seduzir e nos desviar para falsas conquistas. A verdadeira batalha consiste em aprender a aceitar os tropeços, as derrotas, as quedas, sem perder a paz, sem desânimo, sem excessiva tristeza. Deus conhece nossa natureza e nossos limites e nos aceita com infinita misericórdia.



O QUE PERTUBA A NOSSA PAZ


Lutar, muitas vezes significa opor-se aos nossos pensamentos ou à nossa mentalidade dominante, resultando em perturbação, desânimo, medo, pessimismo. Devemos ter sempre em mente que todo os motivos que levam à perda da paz são maus motivos. Esta é uma certeza de fé, baseada na Palavra de Jesus: “Deixo-vos a paz, Eu vos dou a minha paz. Não como o mundo a dá. Que vosso coração cesse de se perturbar e de temer” (Jo 14, 27). Se procurarmos a paz aderindo às motivações do mundo, podemos até sentir o prazer de ver nossos desejos satisfeitos, sem contrariedades – mas, esta paz é superficial e passageira.
Para nós cristãos., a razão de estarmos em paz não vem deste mundo, porque ela se baseia na confiança em Jesus: “Neste mundo experimentareis a aflição, mas tende confiança – Eu venci o mundo” (Jo 16, 33).


A BOA VONTADE, CONDIÇÃO NECESSÁRIA A PAZ


Quando uma pessoa deseja se aproximar de Deus e compreender à sua vontade, podem surgir dúvidas, receios, constrangimentos que roubam-lhe a paz do coração.
Mas, quando uma pessoa se afasta de Deus, vive no egoísmo e prática o mal, ilude-se com uma falsa serenidade, enquanto Ele não desiste de salva-la, peturbando-lhe a consciência, levando-a ao arrependimento, ao remorso. Por isso, é importante ouvir a voz da própria consciência, canal pelo qual Deus toca nosso coração e nossa inteligência.
Não conseguimos sentir uma paz profunda longe de Deus. Como dizia Santo Agostinho: “Tu nos criaste parati, Senhor, e nosso coração ficará inquieto enquanto não repousar em ti”. Mas, é preciso boa vontade, seriedade e perseverança para conquistar a paz interior. É preciso pureza e sinceridade de coração, disposição constante de amar a Deus acima de tudo, de fazer a Sua vontade.
Ao anjos cantavam na noite santa, em Belém: “Paz na terra aos homens de boa vontade”. Deus, como Pai Bom e Misericordioso, considera a boa vontade e os esforço do filho que deseja amá-Lo e servi-Lo sobre todas as coisas, perdoando suas falhas e ajudando-o a atingir seus bons desejos.


COMBATENDO O QUE NOS TIRA A PAZ


· A causa mais comum que nos faz perder a paz é o medo que sentimos diante de dificuldades, dos riscos de fracassos ou insucessos, das doenças, etc. O medo de perder, ou não conseguir, algo a que damos valor, rouba-nos a paz.



Os nossos recursos humanos (previsões, cálculos, projetos cuidados, etc.) não nos dão garantia e segurança para mantermos a paz.“Quem de vós, com suas preocupações, pode aumentar a sua idade de um momento sequer?” (Mt 6, 27). Para conservar a paz do coração, em meio aos riscos da existência humana, só temos uma saída: a Confiança total em Deus! “Vosso Pai celeste sabe muito bem quais são vossas necessidades...” (Mt 6, 32).
· Outro obstáculo à paz interior é que não contamos com a Providência Divina em nosso dia-a-dia. Se calcularmos tudo, providenciarmos tudo, resolvermos tudo, sem contar com Deus, não sentiremos a participação dele em nossa vida. Não é errado ser previdente, organizado, cuidadoso com detalhes das nossas responsabilidades. O erro está em achar que tudo depende de nós e que devemos cercar todos os imprevistos para não sermos pegos de surpresa. Cantemos mais, dentro do nosso coração: “Meu Pai do Céu, eu quase me esqueci que teu amor vela por mim...”.
Jesus nos ensina: “Não vos preocupeis por vossa vida, com o que comereis, com o que vestireis [...] Olhai os pássaros do céu: não semeiam nem ceifam, não ajuntam em celeiros; e vosso Pai celeste os alimenta! Não valeis vós muito mais do que eles?”(Mt 6, 25-26).
· Outro empecilho que afasta a paz do coração é a presença do sofrimento em nos nossa vida e no mundo. Devemos acreditar que as privações e sofrimentos permitidos por Deus não são inúteis, pois de tudo Ele pode tirar algo em nosso favor. Isto é um ato de fé! O mal e o sofrimento são mistérios... e a sabedoria de Deus é muito superior à dos homens. “Na medida em que partilhas dos sofrimentos de Cristo alegrai-vos, a fim de que, quando da revelação da sua glória, também vos encheis de alegria e exultação. Se vos ofenderem por causa de Cristo, felizes sereis, porque o Espírito de Deus repousa sobre vós” (1Pd 4, 13-14).
· Enquanto acreditarmos que em nossa vida falta algo de essencial para sermos felizes e bem sucedidos não teremos paz. Os sentimentos de inferioridade, frustração, incapacidade, inveja, negativismo, só atrapalham o nosso progresso espiritual e deixam-nos sempre insatisfeitos e desanimados. Os nossos limites e imperfeições são ocasião para aumentar a humildade e a confiança no amor e na misericórdia de Deus. Poderão faltar-nos dinheiro, saúde, capacidade, mas nunca o amor de Deus.



CONFIAR COMO CRIANÇA


Nossa confiança em Deus não depende de raciocínios intelectuais e reflexões teológicas. Para vencer o medo, o desânimo, a desconfiança, é preciso que, pela oração, por uma experiência pessoal co Deus, possamos “saborear e ver como o Senhor é bom” (As 34, 9). Abandonando-nos em Deus, com confiança total, nas pequenas e grandes coisas, como crianças seguras pela mão do pai, podemos sentir o seu amor, o seu cuidado pessoal conosco, pois Ele nos conhece pelo nome!





A INQUIETAÇÃO DIANTE DE DECISÕES


Como não sofrer e não se inquietar diante de decisões importantes? Perdemos a paz entre dúvidas, incertezas, perturbações de consciência, medo de errar. Nestas situações para evitar atitudes impulsivas e precipitadas, devemos refletir muito sobre as razões e motivos envolvidos na decisão e, sobretudo rezar pedindo as luzes do Espírito Santo para melhor discernir o caminho a seguir. Deus espera que sejamos humildes e abertos para pedirmos Sua ajuda e conselhos a pessoas responsáveis e amigas. Se mesmo assim nosso coração sentir insegurança para decidir devemos escolher a opção que nos pareça mais adequada, oferecendo a Deus a boa intenção de fazer a Sua vontade. Como o salmista, podemos rezar: ”Não me deixes trilhar o mau caminho, pela estrada da paz Tu me conduzas”(Sl 138, 24).


O SEGREDO ESTÁ NO CAMINHO DO AMOR


Está no caminho da perfeição quem tem amor desinteressado quem é humilde e aceita a sua pequenez e a sua fraqueza sem dramatizar, quem se coloca nas mãos de Deus com plena confiança. “Na mais completa paz eu me deito e adormeço, porque és Tu, ó Senhor, que guardas a minha vida” (Sl 4, 9).
Para conservar a paz no coração, precisamos ser pacientes conosco e com os outros, sem desanimar diante das falhas e dos limites, próprios e alheios. Devemos evitar a pressa excessiva em nossos gestos, a agitação nas situações do cotidiano, o nervosismo nas tarefas diárias. Se não somos capazes de grandes coisas, façamos as pequenas com muito empenho e amor. Como na parábola de Jesus, Poderemos afinal receber de Deus essas palavras: “Muito bem empregado bom e fiel; foste fiel no pouco, Eu te confiarei muito; vem alegrar-te com teu Senhor”! (Mt 25, 21).
Ofereçamos cada minuto de nossa vida a Deus, como um presente humilde, vivido com plena confiança no seu amor, na sua vontade, na sua graça e na sua Paz. E lembremos sempre da bela exortação de Paulo aos Filipenses:
“Não vos inquieteis por coisa alguma. Em todas as circunstâncias apresentai a Deus vossas necessidades em oração e suplica, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda compreensão, haverá de guardar vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus!” (Fl4, 6-7).
E NINGUÉM PODERÁ ROUBAR-NOS ESSA PAZ!











Reunião do COMIPA todas as quintas-feiras das 19:00ás 21:00 horas na Capela de São José na Mangueira.
Informação pelo fone 8891-1222 (COMIPA/Nascimento).
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