Conselho Missionário Paroquial – COMIPA
Mariologia



 

Lição 2: Miquéias 5, 1s

 

         Eis o texto de que se trata:

         “¹E tu, Belém Efrata,

         pequena demais para ser contada entre os clãs de Judá,

         de ti sairá para mim

         aquele que deve governar Israel.

         Suas origens são de tempos antigos,

         De dias imensuráveis.

         ²por isto Deus abandonará

         até o tempo em que dará à luz aquela que deve dar à luz.

         Então o que houver restado de seus irmãos, se reunirá aos filhos de Israel”. 

 

         Este texto pode não ser tido como profecia messiânica; seria explicável simplesmente como anúncio de salvação e restauração do povo de Israel após o exílio babilônico; as mulheres voltariam a dar à luz normalmente e os filhos de Israel dispersos voltariam e se unir aos habitantes de Judá. Todavia a interpretação messiânica é muito plausível, de mais a mais que Miquéias foi contemporâneo de Isaías e, possivelmente, seu discípulo. A própria tradição judaica, antes dos cristãos, viu nestes versículos uma profecia messiânica a anunciar a vinda de um novo Davi, que governaria com firmeza e segurança o povo de Deus. S. Mateus dá a ver que tal profecia se cumpriu por ocasião do nascimento de Jesus (ver Mt 2, 6);  os próprios sacerdotes e escribas de Israel citaram Mq 5, 1s para indicar o lugar em que o Messias devia nascer; ver Mt 2, 4-6 .

 

         Examinemos, pois, de mais de perto o texto de Miquéias.

 

         O profeta supõe Israel humilhado Poe seus inimigos. A humilhação, porém, não é definitiva. Na pequena cidade de Belém aquela que deve dar à luz, dará à luz um soberano, cheio do poder de Javé, que dará inicio à paz messiânica. – Alguns traços particulares são importantes:

 

a)    S. Mateus, em vez de dizer: “Belém,... pequena demais...”, prefere escrever:

“Belém... não és o menor entre todos os clãs de Judá”. O Evangelista atribui aos sacerdotes e escribas de Herodes um modo de ler que exalta a cidade do Messias.

 

b)    As origens desse soberano são “de tempos antigos”. Há aqui uma referência

aos primórdios mais remoto da casa de Davi, de acordo com a genealogia de Rt 4, 18-22. Mas pode-se ver aí também uma alusão à origem transcendental ou divina desse Rei.

 

c)     Chama a atenção a construção da frase de Miquéias: em vez de dizer  

 simplesmente que virá o Grande Rei, o profeta escreve “... até o momento em que dará à luz aquela que deve dar à luz”.

 

 

Por que essa referência especial à mãe do Rei Messias? Há quem responda que Miquéias queria aludir à Mãe do Emanuel mencionada em Is 7, 14; essa Mãe já era conhecida dos contemporâneos de Miquéias através da pregação de Isaías; eis por que ela estaria em primeiro plano no vasto quadro da profecia messiânica, segundo Miquéias. Tal interpretação é plausível.

 

d)    Para se entender o nexo existente entre o Rei Messias e sua mãe, convém

 lembrar que a rainha-mãe gozava de especial veneração nas cortes do oriente antigo: na Assíria, na Babilônia, na Fenícia, no Egito... No Antigo Testamento a rainha-mãe era chamada gebirah, isto é mãe do Senhor ou Grande Dama; ver 1Rs 15, 13; 2Rs 10,13; Jr 13, 18; 29, 2. O nome da rainha-mãe é freqüentemente mencionado pelo autor dos livros dos Reis: 1Rs14,21;15, 2-10; 22, 42; 2Rs 8, 26; 12, 2; 15, 2-33...

 

         Percebe-se claramente a eminente posição da rainha-mãe, comparando entre si 1Rs 1, 16s e 2, 19; no primeiro caso, a esposa de Davi, Betsabéia, vai pedir ao rei em favor de seu filho Salomão, ajoelhando-se e prostrando-se diante do rei; no segundo caso o rei Salomão recebe a visita de sua mãe betsabéia, ergue-se para ir ao seu encontro, prostrando-se diante dela e manda que ela se sente á direita do rei.

 

         Estes dados explicam que à expectativa do futuro Rei Messiânico em Israel estivesse associada à figura honrosa da mãe do messias, como em Is 7, 14 e em Mq 5, 1s. A referência à venerável Mãe do Messias em ambos os casos é muito consentânea com os costumes das cortes orientais.

 

Lição 3: Conclusões

 

De quanto foi dito nos dois primeiros módulos deste curso, podem-se deduzir as seguintes conclusões:

 

         1)A esperança fundamental do Antigo Testamento é a do Messias. Por isto Maria SS. É aí esboçada estritamente como Mãe do Messias. A Mariologia é função da Cristologia.

 

         2) A prerrogativa de Maria é a maternidade messiânica.

 

         3) Isaías parece anunciar, de algum modo, o caráter virginal dessa maternidade. Não tenciona exaltar a virgindade (O que não se entenderia no A.T.), mas tem em vista realçar o dom gratuito do Filho-Messias. Não é o homem quem, por sua própria capacidade, gera a salvação. Os evangelistas Mateus e Lucas desenvolveram autenticamente o esboço de maternidade virginal contido no A. T..

 

         4) À Mãe do Messias não toca apenas a função da parturiente. Cabe-lhe também cooperar de algum modo na obra da salvação humana. E isto, a três títulos:

 

 

 

 

 

a)    em Gn 3, 15 não se espera apenas a vitória do Messias, mas é lógico atribuir à nova Eva ou Eva plenamente realizada um papel de resgate da primeira Eva;

 

b)    não raro no A. T. compete às mulheres uma função salvífica importante (ver Jael,Judite, Éster....);

 

c)     as cortes do antigo oriente atribuíam à rainha-mãe um papel privilegiado.

 

Não se pode esperar encontrar no Antigo Testamento um quadro mariologico muito nítido. Importa, porém, verificar que as profecias messiânicas mais antigas já delineiam alguns traços de Maria, concebida como Mãe do salvador.

 

PERGUNTAS

 

1)    Queira reconstruir o fundo de cena da profecia de Is 7,14.

2)    Quem é o Emanuel de Is 7, 14?

3)    Quem é a “almah” de Is 7, 14?

4)    Com que fundamento se pode dizer que é virgem?

5)    Qual o pano de fundo de Mq5, 1s?

6)    Por que Mq 5, 1s fala da mãe do Rei prometido?










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