Conselho Missionário Paroquial – COMIPA

 (Continuação História da Igreja)

1.    História Antiga (~692)

Módulo 2: Os apóstolos e a Propagação da Igreja





Lição 1: O Apóstolo São Pedro

 

 

Sabe-se que São Pedro foi por Jesus constituído fundamento visível da Igreja (cf. Mt 16, 16-19; Jô 21, 15-17). Os Atos Dos Apóstolos mostram como este Apóstolo tomava a dianteira logo nos primeiros tempos da Igreja; no dia de Pentecostes (At 2, 14-40), no pórtico de Salomão (At 3,12-26), diante do tribunal judeu (At4,8-12), no caso de Ananias e Safira (At 5,1-11), ao receber o primeiro pagão, Cornélio, na Igreja(At 10, 1-48),ao pregar na Samaria (At 9,32-43). No ano de 42, é aprisionado em Jerusalém e, uma vez solto, “retira-se para outro lugar” (At 12,17). Para onde terá ido? -- Uma tradição em voga do século IV em diante refere que Paulo morou 25 anos em Roma, ou seja, de 42 a 67. Quem a aceita, dirá que Pedro passou logo de Jerusalém para Roma. Acontece, porém, que Pedro é tido como fundador da sé episcopal de Antioquia na Síria; é certo que esteve presente ao concílio de Jerusalém em 49 (cf. At 15, 7-11); pouco depois estava em Antioquia (cf Gl 2, 11-14). Estes dados levam a dizer que, se Pedro passou para Roma em 42, não permaneceu ininterruptamente esta cidade.

É certo, porém, que S. Pedro pregou em Roma, exercendo a plenitude dos poderes apostólicos, e ali sofreu o martírio, provavelmente crucificado de cabeça para baixo no ano de 67. Esta tese está bem documentada pela tradição, como se depreende dos seguintes testemunhos:

 

Em 1Pd 5, 13, o autor (S. Pedro) fala em nome dos cristãos da Babilônia, onde  reside. Ora Babilônia é a Roma pagã do séc. I dC. (cf. Ap 18,2s)

 

S. Clemente de Roma, por volta de 96, em sua carta aos Coríntios, refere-se a Pedro e Paulo. Que lutaram até a morte e deram testemunho diante dos poderosos; supõe que ambos tenham morrido em Roma (cf. cc. 5-6).

 

S Inácio de Antioquia (+107) escreve aos romanos nestes termos: “Eu não vos ordeno como Pedro e Paulo”. Visto que não existe carta de Pedro aos romanos, admite-se o relacionamento oral de Pedro com a comunidade.

 

Clemente de Alexandria (+215) narra que S. Marcos interprete de Pedro, redigiu por escrito a pregação de Pedro a pedido de seus ouvintes romanos (cf. Eusébio, História Eclesiástica II 15; VI 14).

 

S. Irineu de Lião, por volta de 180-190, atribui a fundação da Comunidade de Roma aos apóstolos Pedro e Paulo e apresenta um catálogo dos bispos de Roma desde Pedro até sua época (Contra as heresias II 3, 2. 3). Em conseqüência, afirma que, para guardar a autêntica tradição apostólica, é preciso concordar com a doutrina da Igreja de Roma.

 

O presbítero romano Gaio, por cerca de 200, atesta que, ainda nos seus tempos, se podiam mostrar em Roma os troféus (tropaia), isto é, os túmulos dos dois Apóstolos: o de Pedro na colina do Vaticano, e o de Paulo na via Ostiense (Eusébio, II 20),

 

As escavações realizadas debaixo da basílica de S. Pedro confirmaram, em nosso século, tal tradição. Com efeito: verificou-se que a basílica foi construída pelo imperador Constantino em 324 por cima de um cemitério e sobre um terreno que corria em declínio de 11m de altura de Norte a Sul; isto exigiu a colaboração de uma laje sustentada por pilares de 5cm, 7m e 9m de altura, a fim de se estabelecerem sobre tal laje os fundamentos do edifício. Ora uam construção em tais condições só pode ser explicada pelo fato de que Constantino e os cristãos tinham a certeza de estar construindo sobre os túmulos de São Pedro. Ademais os arqueólogos encontraram na camada mais profunda das escavações ossos de quase metade de um indivíduo só, robusto, de uns 60-70 anos de idade, muito mais provavelmente homem do que mulher; inscrições em grafito postas nas proximidades rezavam: “Pedro está aqui” ou “Salve, Apóstolo” ou “Cristo Pedro”.

 

Em 258 Imperador Valeriano, perseguindo os cristãos, proibiu que estes se reunissem nos seus cemitérios dentro da cidade de Roma para celebrar a memória dos mártires. Em conseqüência, os Cristãos levaram as relíquias de São Pedro para as catacumbas de São Sebastião na Via Ápia, e, uma vez passada a era das perseguições, as trouxeram de volta ao Vaticano.

 

Lição2: O Apóstolo São Paulo

 

 

A São Paulo tocou o papel de importância enorme na história do Cristianismo nascente.

Judeu da Diáspora ou de Tarso (Cilícia), recebeu a cultura helênica vigente na sua pátria; aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém, onde foi iniciado por Gamaliel nas Sagradas escrituras e nas tradições rabínicas. Era autêntico fariseu, quando Cristo o chamou a trabalhar em prol do Evangelho por volta do ano 33 (cf. At 9, 19). Realizou três grandes viagens missionárias em terras pagãs, fundando várias comunidades cristãs na Ásia Menor e na Grécia. São Paulo não impunha aos pagãos nem a circuncisão nem as obrigações da Lei de Moisés, mas concedia-lhes logo o batismo depois de evangelizados. Ora isto causou sérias apreensões a uma facção de judeu-cristãos chamados “judaizantes”; queriam que os gentios abraçassem a Lei de Moisés e o Evangelho, como se este não bastasse. Levantaram, pois, certa celeuma contra Paulo. A fim de resolver a questão, os Apóstolos que estavam em Jerusalém, se reuniram com Paulo e alguns discípulos no ano de 49, como refere S. Lucas em At 15: a assembléia houve por bem não impor aos gentios a Lei de Moisés, mas pediu que em Antioquia, na Síria e na Cilícia os étnico-cristãos observassem quatro cláusulas destinadas a garantir a paz das respectivas comunidades (que contavam numerosos judeu-cristãos): abster-se de carnes imoladas aos ídolos (idolotitos), de sangue, de carnes sufocadas (cujo sangue não tivesse sido eliminado) e de uniões ilegítimas.  Essas cláusulas tinham caráter provisório, e visavam a não ferir a consciência dos judeu-cristãos, que tinham horror aos ídolos, ao consumo de sangue e a formicação. Estava assim teoricamente resolvida a problemática levantada pelos judaizantes; na prática, porém, estes não se tranqüizaram e procuraram destruir a obra apostólica de S. Paulo, caluniando-o como impostor e oportunista; Paulo, diziam, queria facilitar o acesso dos pagãos ao Cristianismo para ganhar a simpatia dos mesmos, já que não tinham a autoridade dos outros Apóstolos; não acompanhara o Senhor Jesus, mas era discípulo dos Apóstolos; alegavam também que, se Paulo queria viver do trabalho de suas mãos  e não da obra de evangelização (cf. 1Cor 9, 15-18; 1Ts 2, 9), ele o fazia por saber que não era Apóstolo como os demais e não tinha o direito de ser sustentado pelas comunidades dos fiéis.São Paulo sofreu horrivelmente por causa dessas falsas acusações (cf. 2Cor 11, 21-32), mas não se abateu, pregando intrepidamente a liberdade dos cristãos frente à Lei de Moisés. E por que tanto insistiu nisto?

 

Eis a resposta paulina: Deus chamou Abraão gratuitamente ou sem méritos de Abraão, e prometeu-lhe a benção do Messias; Abraão acreditou nesta Palavra do senhor, e tornou-se justo ou amigo de Deus por causa da sua Fé; é certo, porém, que esta fé não foi inerte, mas traduziu-se em obediência incondicional a todas as ordens do senhor. Ora o modelo de Abraão é valido para todos os homens, anteriores e posteriores a Cristo: ninguém é justificado ou feito amigo de Deus porque o mereça, mas porque Deus tem a iniciativa de perdoar os pecado de sua criatura; esta acredita no perdão de Deus e exprime sua fé em obras boas. – sobre este pano de fundo a lei de Moisés foi dada ao povo de Israel a título provisório e pedagógico: ela propunha preceitos santos, que o israelita não conseguia cumprir, vitima da desordem do pecado existente dentro de todo homem; assim a Lei tinha o papel de mostrar à criatura que ela por si só é incapaz de praticar o bem e de fazer obras meritórias; ela precisa da graça de Deus, ... graça que o Messias devia trazer; desta maneira (dura e paradoxal) a lei preparava Israel para receber o Salvador: aguçava a consciências do pecado, tirava qualquer ilusão de auto-suficiência e provocava o desejo do dom gratuito de Deus prometido a Abraão. A intuição desta verdade ou do grande desígnio de Deus na história da salvação se deve ao gênio de São Paulo, que assim evitou  que o Cristianismo se tornasse uma seita judaica, filiada à Lei de Moisés, e preservou a autenticidade cristã: a lei de Moisés era um elemento meramente provisório e preparatório para Cristo.

 

Quanto ao fato de não querer viver do seu trabalho de evangelização, e de trabalhar com as mãos para ganhar seu pão, São Paulo o justificava, dizendo que evangelizar para ele não era meritório (como era meritório para os demais Apóstolos); Cristo o tinha de tal modo cativado que ele não podia deixar de pregar a Boa-Nova (“ai de mim, se eu não evangelizar!”, 1Cor 9, 16); por isso devia fazer algo mais para oferecer ao senhor Deus. --- Ademais São Paulo fazia questão de dizer que não era discípulo dos Apóstolos, mas fora instruído e instituído diretamente por Deus (cf. Gl 1, 1).

 

Lição3: A expansão do Cristianismo

 

 

Sem demora, a pregação do evangelho ultrapassou os limites do país de Israel e entrou em território pagão.

 

Em Antioquia, capital da Síria, fundou-se uma comunidade muito próspera, que se tornou um centro de irradiação missionária para o mundo helenista. Foi lá que pela primeira vez os Galileus (At 1, 11) ou Nazarenos (AT 24, 5) receberam o nome de cristãos (em grego, christianoi); cf. At 11, 26.

 

Em Roma o Cristianismo deve ter-se originado por obra de judeus residentes naquela cidade que havia peregrinado a Jerusalém por ocasião do primeiro Pentecostes cristão (cf. At 2, 10); tendo abraçado as fé naquele dia, regressaram a Roma e lá transmitiram a Boa-Nova aos seus compatriotas da Diáspora. S. Pedro e S. Paulo devem ter encontrado a comunidade já estruturada quando chegaram a Roma. Tácito refere que Nero em 64 mandou executar uma multitudo ingens (enorme multidão) de cristãos.

 

O surto do Cristianismo na Gália é narrado através de histórias pouco seguras: os irmãos Lázaro, Marta e Maria terão ido para a Provença, e Lázaro haverá sido bispo de Marselha (cf. Lc 10, 38-42); Dionísio, convertido por S. Paulo no Areópago de Atenas(cf. At 17, 34),terá sido o primeiro bispo de Paris... É certo, porém, que no século II havia comunidades florescentes na Gália, fato testemunhado por S. Irineu bispo de Lião (+202).

 

Na Espanha é possível que tenha estado São Paulo, consoante o desejo alimentado pelo Apóstolo (cf. Rm 15, 28).  A noticia de que São Tiago Maior chegou aa Espanha é pouco fidedigna, pois tal Apóstolo morreu no ano de 42 em Jerusalém (cf. At 12, 3); só no século VII se encontram os primeiros testemunhos desta noticia.

 

Na Britânia (Inglaterra de hoje) supõe-se que o Cristianismo tenha penetrado por efeito do zelo missionário de cristãos da Ásia Menor. Tertuliano (+222) falava da Britânia que tinha “partes não penetradas pelos romanos, mas sujeitas a Cristo” (Adversus Judaeos 7).

 

Na Alemanha sabe-se que o Evangelho já tinha seguidores no séc. II, conforme S. Irineu (Adversus haereses I 10, 2), mas não pode dizer como se originou o Cristianismo naquele território.

 

A África norte-ocidental deve ter sido evangelizada por cristãos de Roma, visto que era grande o intercâmbio entre um continente e outro. No século III, Tertuliano podia dizer retoricamente que os cristãos constituíam a maioria das populações das cidades da região. Numerosas sedes episcopais (90) ai foram fundadas.

 

Quanto ao Egito, diz-se que São Marcos deu origem à sede episcopal da Alexandria – o que é duvidoso. É certo, porém, que toda a região foi rica em dioceses e colônias de monges nos séculos III / V.

 

Na Palestina a evangelização foi muito dificultada pelos judeus até 70. Nesta ano os romanos venceram os israelitas rebeldes e os expulsaram da sua pátria. Em 130, o Imperador Adriano mandou reconstruir a cidade de Jerusalém arrasada em 70, dando-lhe o nome pagão de Aelia Capitolina, e dedicando o respectivo templo a Júpeter. O Calvário foi recoberto por um templo dedicado a Afrodite. Somente a partir do século III a comunidade étnico-cristão de Jerusalém começou a ter certa importância.

 

Na Índia, dizem escritos apócrifos que o Apóstolo São Tomé pregou o Evangelho, chegando até a costa de Malabar na parte sul-ocidental daquele país. Terá morrido como mártir sob o rei Misdai. Assim  terão tido origem os Cristãos de S. Tomé at´´é hoje existentes. – Esta tradição não é inverossímil, pois havia intercâmbio comercial entre a Síria e a Índia. Todavia os melhores historiadores se mostram reservados. O Cristianismo talvez só tenha chegado à Índia no século III pela ação de viajantes persas e armenos.

 

PERGUNTAS

 

1)    Que se pode dizer a respeito do apostolado de São Pedro?

2)    Queira citar dois testemunhos do primado da Sé de Roma?

3)    Qual foi o traço característico da missão de São Paulo?

4)    Qual a sua Importância?

5)    Os Apóstolos estiveram em todas as partes do mundo conhecido no século I?

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 











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